Galeria Mãe Rosa

EXPOSIÇÃO

As Mãos Beneditas de Justina

Música: Comprar Peneira
Artista: Siriri Quilombola da Mutuca

A exposição As Mãos Beneditas de Justina de mesmo nome do projeto que a gerou, é fruto de um projeto multimidia realizado com recursos da Lei Aldir Blanc em Mato Grosso, pelo edital Mestres da Cultura "Marília Beatriz Figueiredo Leite".

A mestra aqui homenageada é Justina Ferreira da Silva, mulher negra quilombola, cozinheira, doceira, que viveu uma vida com pouco recursos financeiros, de lutas e conflitos territoriais envolvendo a comunidade quilombola em que vive. Sua vida e luta pela resistência de sua família e de seus irmãos quilombolas atravessam as fotografias, depoimentos e textos poéticos desta exposição. Um trecho de um depoimento da mestra também é pura poesia "Aqui eu nasci, aqui eu vivi, aqui eu vou morrer, mas com muita garra, que hoje, estou sendo uma mulher reconhecida, para contar a história para o meu povo. O que eu passei, mas não morri [...] eu não aprendi a ler. Aprendi a sabedoria. É o amor, o carinho. Não pense você que a roupa é sua felicidade. A sua felicidade está dentro de você".

As fotografias da exposição são de autoria dos jovens quilombolas Eduarda Ferreira Brito, Eliana Letícia da Silva, Graciele Evangelista da Silva, Rayane Vitória da Silva, Samuel Felipe dos Santos, Wenderson Ferreira da Silva, que participaram do projeto. Ainda conta com imagens feitas pelo fotógrafo João Almeida, integrante da equipe do projeto e do designer e produtor cultural Luiz Pita, convidado para produzir um dos ensaios junto aos jovens. As poesias são de Silviane Ramos, Laura Ferreira e Gilda Portella. As imagens foram realizadas no contexto do projeto, mas visam trazer vários olhares sobre a mestra homenageada e a comunidade em que vive.

"As fotografias foram feitas e selecionadas neste clima de "cuidadania" juntamente com os expositores" conta Gilda Portella, curadora da exposição. Para ela "A ideia é que a exposição seja transpassada pelo espírito da reciprocidade, solidariedade e pelo trabalho coletivo que enxergamos na vida da mestra homenageada Justina e que manteve viva a comunidade quilombola do Mutuca".

Ainda para Gilda, "Outro elemento que cabe destaque é que a identidade étnica quilombola deve ir além da resistência cultural, a evocação da cosmogênese das "memórias ancestrais" seja o principal através da temática "nossos ancestrais são rainhas e reis".

Dessa forma, nesta exposição vemos uma múltipla Dona Justina, a que cozinha, que enrola doce, que fia algodão, que é mãe, que é vó, mas que tem seu dia de modelo e dia de passeio. Quilombola fundamental na luta e resistência da comunidade, mas também junto a seus irmãos quilombolas, descendente de reis e rainhas.


Paty Wolff

Artista visual e diretora geral de arte do projeto "As Mãos Beneditas de Justina"

JUSTINA

MÃOS QUE ACOLHEM